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Uma mochila no ombro, um sorriso no rosto

Por Mildrède Beliard, CARE Haiti

Elas formam uma multidão animada no pátio da escola ‘Collège de Rémy Jean Lemec’. As crianças, com idade entre 6 e doze anos, já conhecem a equipe da CARE, que está ali para fazer a distribuição de materiais escolares: muitas delas participaram de sessões de apoio psicológico com seus pais, outras ainda lembram dos palhaços que visitaram os acampamentos há duas semanas.

Quando Lesly Guerrier, Verlaine Fleurantus e Sophonie Mondélus – da equipe de Apoio Psicossocial da CARE chegam, as crianças estão de repente mais do que felizes em sentar-se e seguir as instruções. “Vamos chamá-los pelo nome. Então, vocês têm que fazer uma fila e esperar até que sejam orientados a se dirigir ao homem parado ao lado do caminhão. Depois de ter recebido sua mochila, você pode voltar para seus pais.”

As meninas são chamadas primeiro e formam uma linha ordenada. Algumas delas estão com um grande sorriso no rosto, outras apenas irradiam esperança. Barbara Clervil tem 8 anos de idade: “Eu não sei o que está nesta mochila, mas eu seria feliz mesmo só de ter a mochila para que eu possa finalmente voltar para a escola”.

Algumas dessas crianças começaram a escola em setembro, mas muitos ainda não têm os meios para fazê-lo. As taxas escolares, livros, lápis, uniforme escolar e, claro, a própria mochila, são custos que muitos pais não podem pagar, especialmente depois de terem perdido quase todos os seus pertences no terremoto.

Para muitas crianças, esta mochila representa nada menos que um futuro novo e brilhante.

Olson Tillien tem 12 anos e planeja pintar fotos de belos barcos com o seu novo kit de desenho. “Gosto de estar em um barco, eu amo o mar, a pesca, sentir o ar correndo pelos meus dedos. Vou fazer os desenhos e vendê-los no Natal, para comprar um brinquedo para mim”.

No meio de toda a euforia, Mariette Joseph, de 35 anos, tenta chamar atenção para a sua filha. Angenica Rômulo tem 6 anos de idade. Ela frequenta a escola, está aprendendo a escrever e possui dicção perfeita quando se apresenta, o que é notável para uma menina tão jovem. A única coisa que a distingue das outras crianças: ela só tem três dedos em cada mão. “Eu nasci assim”, explica. “Eu tinha uma irmã gêmea para quem dei os meus outros dedos, mas ela morreu.” Angenica orgulha-se de nos mostrar como ela consegue segurar o lápis e desenhar círculos e quadrados.

Hoje foi definitivamente um Natal antecipado. “Eu nunca vi tantas crianças felizes em um só lugar”, afirmou Johnny Colt, um jornalista norte-americano que presenciou a distribuição.

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São Gonçalo: distribuição de kits de higiene continua

A CARE Brasil continua seu trabalho de apoio à comunidade do Palmeiras e entorno, em São Gonçalo, mesmo 5 meses após as fortes chuvas que atingiram o território. Nesta e na próxima semana, será concluída a entrega de 500 kits de higiene às famílias mais afetadas, em parceria com o CRAS (Coordenadoria Regional de Assistência Social) do bairro Salgueiro e com o Movimento de Mulheres de São Gonçalo.

Maria de Lourdes em frente ao seu negócio

Maria de Lourdes Jesus, de 39 anos, segurando o kit higiene da CARE Brasil, ainda tenta se recuperar da enchente. Comerciante local, ela vende comida caseira na extensão de seu quintal, que já se tornou uma pensão improvisada. Com a chuva, perdeu itens fundamentais aos seus negócios: fogão, armário da cozinha para armazenar os alimentos, estoque de alimentos não perecíveis, mesa e cadeira de madeira para o atendimento aos clientes. Maria de Lourdes tem 6 filhos e sustenta a família com a renda obtida com a venda alimentos e ‘quentinhas’. Ao seu lado, sua sócia e amiga inseparável.

Maria de Jesus com seu filho caçula

Com quatro filhos em casa, Maria de Jesus também ficou feliz ao receber o kit de higiene. “Vou ficar mais ou menos uns três meses sem comprar absorvente e vou dar uma toalha para cada um agora”, afirmou. A fonte de renda da família vem do recurso adquirido com a venda de produtos recicláveis. Maria é catadora do bairro e vende o material arrecadado no ferro velho local. Em média, obtém R$ 150,00 por mês.
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Luciana com o kit de higiene da CARE em mãos

Luciana mora na mesma rua que Maria de Lourdes e Maria de Jesus. Com 26 anos de idade e dois filhos, é cega das duas vistas, consequência de um glaucoma aos 23 anos. Hoje vive com o valor pago pelo INSS. “O kit higiene para mim, neste momento, será muito útil. É uma forma de economizar e investir em outros itens, como alimentação”, conta.

O kit higiene distribuído pela CARE Brasil é composto por 4 sabonetes, 2 cremes dentais, 4 escovas de dentes, 4 desodorantes, 2 toalhas de rosto, 3 toalhas de banho, 1 pacote de papel higiênico com 8 rolos, 4 pacotes de absorventes femininos, 1 balde, 2 litros de desinfetante, 500g de sabão em pó e 1 litro de água sanitária ou cloro.

Fotos: Divulgação/CARE Brasil

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Cestas básicas e kits de limpeza: mais 100 famílias são beneficiadas

Depois da primeira entrega de cestas básicas e kits de higiene feita pela CARE Brasil em parceira com o CRAS de São Gonçalo, outra ação foi feita no bairro Palmeiras, desta vez em parceria com o Núcleo de Articulação das Creches Comunitárias de São Gonçalo.

Entre os dias 12 e 14 de maio, a consultora da CARE Brasil Jacilea da Silva Santos, responsável em campo pela atuação emergencial no Rio de Janeiro, coordenou a entrega dos mantimentos para mais 100 famílias. “Desta vez, fizemos a distribuição com o apoio das educadoras da creche comunitária do Palmeiras, que está desativada desde a ocorrência das chuvas”, afirma Jacilea.

Como critério para esta ação, foram priorizadas as famílias atendidas pela creche que, até que o serviço seja reestabelecido em outro local, não podem deixar suas crianças sob os cuidados das educadoras enquanto trabalham.

Veja as fotos da distribuição no dia 12/5. Ao clicar nas fotos, leia depoimentos ou saiba mais sobre as famílias beneficiadas pela CARE Brasil:

FOTOS: Divulgação / CARE Brasil

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Água para 120 famílias

Cento e vinte famílias do bairro Palmeira, em São Gonçalo, já estão com suas caixas d’água cheias. Cada casa recebeu, em média, 1.000 litros de água de caminhões pipa viabilizados pela CARE Brasil.

A distribuição de água começou no dia 29 de abril e hoje completa uma semana.

Graças a uma articulação local, também foi retomada a distribuição de água feita pela empresa pública responsável pelo fornecimento na região. Com isso, o número total de famílias que agora estão com água potável em suas casas deve subir. O objetivo é que pelo menos mil famílias sejam beneficiadas.

Shirlei Ferreira dos Santos

Shirlei Ferreira dos Santos tem 42 anos e vive há mais de 5 anos em São Gonçalo, com mais três pessoas em sua casa: a filha, o companheiro da filha e uma neta. Antes do carro pipa viabilizado pela CARE Brasil chegar, ela já contava cinco dias sem água. Para beber e cozinhar, estava comprando garrafas de 1 litro nas redes de supermercado. “Se eu economizar e evitar lavar roupas, a não ser o essencial, essa água pode durar de 10 a 11 dias”, afirmou Shirlei.

Maria da Glória

Maria da Glória tem duas netas e mora com sua filha e o genro. Na casa dela, 500 litros de água duram em média de dois a três dias. Enquanto abastecia sua caixa d’água, contou à equipe da CARE Brasil que não recebe água há uns três anos. Com um semblante de preocupação,  contou que, assim como existe a lista de arroz e feijão para o mercado no final do mês, o carro pipa está lá, no mesmo orçamento da alimentação. “Com essa doação de 100o litros de água, vamos poder comprar mais carne esta semana”, disse Maria da Glória.

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Distribuição começa em São Gonçalo

Cesta básica e kit de higiene distribuídos em São Gonçalo pela CARE Brasil

A partir de hoje, a CARE Brasil inicia em São Gonçalo a distribuição de cestas básicas e kits de limpeza para as famílias mais desassistidas do município, na região Noroeste, onde fica o bairro Palmeiras. O critério de seleção das famílias será o mesmo utilizado para a distribuição de água pelos caminhões pipa viabilizados pela CARE Brasil: aquelas que não estão sendo assistidas pelo serviço municipal e que são consideradas mais vulneráveis pelo Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) do município.

Serão entregues 250 cestas básicas contendo: arroz, feijão, açúcar, macarrão, óleo de soja, farinha de trigo, farinha de mandioca, fubá, sal, polpa de tomate e lata de milho ou ervilha. E 250 kits de limpeza, que incluem: detergente, papel higiênico, papel toalha, sabão em pó e sabão em barra.

O armazenamento dos itens é feito no CRAS do Salgueiro e a distribuição é realizada pela CARE Brasil, diretamente nas casas das famílias, em parceria com a equipe do CRAS. A Prefeitura Municipal de São Gonçalo também está envolvida na ação por meio do Programa Saúde da Família, da Secretaria de Políticas para Mulheres e da Secretaria de Planejamento.

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Distribuição de mantimentos no Haiti

Fotos: Evelyn Hockstein/CARE

Centenas de haitianos fazem fila perto de um estádio na cidade de Porto Príncipe, à espera da distribuição de colchonetes e kits de higiene. A CARE distribuiu kits para 2.133 pessoas.

A cidade de Porto Príncipe possui cerca de 36 mil grávidas que necessitam de cuidados especiais. A CARE distribuiu kits exclusivos para gestantes com itens como fraldas, cobertores e sabonetes.

Distribuição de arroz em Porto Príncipe, em parceria com o Programa Mundial de Alimentos, da ONU. A CARE já distribuiu alimentos para 17 mil pessoas.

Os kits de higiene são importantes para manter a saúde e evitar doenças. Já foram distribuídos cerca de 7 mil kits que incluem produtos como sabonete, escova e pasta de dente, absorventes, xampu, papel higiênico, sabão em pó, fraldas de pano, corda para varal e toalhas.

A CARE instalou cinco tanques para armazenamento de água potável em acampamentos de desabrigados, quantidade suficiente para atingir 7.600 pessoas por dia.

Um lote com caixas de sachês de purificação de água é descarregado no aeroporto de Porto Príncipe.

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São os haitianos quem vão reconstruir o seu país

Patrick Solomon, supervisiona a distribuição de kits de higiente, feita em Leogane em parceria com a comunidade (Foto: Evelyn Hockstein/CARE)

Patrick Solomon/ artigo publicado no site The Huffington Post.

Patrick é vice-presidente de Recursos Humanos da CARE USA e supervisiona a atuação de equipes internacionais.

A estrada para o oeste de Porto Príncipe estava tão sombria quanto triste. O terremoto destruiu 90% dos edifícios da cidade de Leogane. Em meio às casas e lojas desmoronadas, pude ver mais corpos – alguns que não estavam lá quando a gente passou no dia anterior.

Cada vítima me lembrou não só o quanto o Haiti perdeu, mas também como é comprido o caminho para a sua recuperação. Porque, no final das contas, é o povo haitiano quem vai reconstruir seu país – tijolo por tijolo, livro por livro.

Esta crença está nos valores de como a CARE está respondendo no Haiti, onde trabalhamos desde 1954. Ao invés de apenas distribuir um caminhão cheio de comida e suprimentos, a CARE está capacitando pessoas da comunidade para serem nossos parceiros na distribuição.

Na primeira visita da nossa equipe a Leogane, nos reunimos com o prefeito e outras lideranças da cidade. Contamos nosso plano para entregar água, galões e kits de higiene. Quando pedimos que eles identificassem os membros mais vulneráveis de suas comunidades – mulheres grávidas, crianças e idosos – nós demos pequenas “fichas” que poderiam ser trocadas por mantimentos.

O resultado foi surpreendente de se testemunhar. Quando chegamos em Leogane, era evidente que as pessoas de lá tinham desenvolvido um plano de distribuição de 1.500 galões e 1.200 kits de higiene. Os voluntários tinham de fato distribuído as fichas nas 14 tendas que foram montadas nos arredores da cidade. E eles nos levaram para a entrada de um edifício de telecomunicações, que foi usado como uma prefeitura improvisada, porque os edifícios públicos foram destruídos. Então, numa fila organizada, as pessoas foram escoltadas até os fundos do edifício, onde a distribuição aconteceu. Eles entregaram as fichas, que foram marcadas para evitar a duplicação.

Escoteiros ajudam funcionários da CARE a descarregar kits de higiene em Leogane (Foto: Evelyn Hockstein/CARE)

Talvez a visão mais inspiradora seja a atuação de jovens escoteiros haitianos, meninos e meninas que ajudaram a manter a ordem. Os jovens davam segurança e apoio emocional, enquanto a CARE distribuia kits às mulheres de Leogane, baldes com produtos de higiene pessoal, como sabonete, absorventes e toalhas.

Lá fora, os meninos montavam guarda para ajudar a controlar as pessoas ansiosas, que esperavam a sua vez. As meninas escoteiras, algumas chamadas de “guias”, providenciavam gentilmente as orientações, andando por entre as mulheres cansadas e assustadas que enfrentaram a multidão naquele sol de meio-dia.

Entre as pessoas que ajudavam, estava Joanie Estin, elegante com seu vestido bege e o lenço azul amarrado no pescoço. A jovem de 22 anos vestia as cores do Grupo Escoteiro Ste Rose de Lima, de Leogane. “Tentamos aconselhar as pessoas sobre como manter a calma e ajudamos as agências internacionais nas distribuições”, conta Joanie, com orgulho. “Para mim, é uma ação que me ajuda a me sentir melhor”.

A escoteira Jonie Estin se reúne com seu chefe escoteiro e um funcionário da CARE para planejar a distribuição no centro de Leogane (Foto: Evelyn Hockstein/CARE)

Joanie, como muitos daqueles escoteiros, está tentando lidar com sua própria tragédia pessoal. Ela perdeu seu pai no terremoto. Ele era o único que estava dentro de sua casa, quando ela desabou. No entanto, lá estava Joanie, vestida com seu uniforme de honra, ajudando seus companheiros sobreviventes a juntar os cacos de suas vidas. Esse tipo de força de vontade é necessária para que o Haiti se levante novamente. Mas não é o suficiente.

O povo do Haiti precisa de parceiros para somar forças, enquanto eles constroem novas escolas, novos hospitais e, talvez um dia, um novo sentimento de otimismo. Nós da CARE já enviamos reforços para ajudar nossos 133 funcionários – todos, exceto um, são haitianos – que estavam em campo quando o terremoto mudou suas vidas para sempre. A CARE está pensando no longo prazo e tem um plano de cinco anos para ajudar a reconstruir o Haiti. E vamos continuar a nossa atuação baseada no envolvimento comunitário.

Jovens mulheres como Joanie já estão dando os primeiros passos. Depois do terremoto, ela foi capaz de pular a porta dos fundos da sua casa e recuperar alguns pertences. Joanie achou algumas roupas e um estojo de cosméticos. Então ela retirou algo dos escombros – o seu uniforme de escoteira. Uma lembrança que nem o terremoto poderia apagar.

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