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Vozes do Haiti: Rose-Carmelle

(Mildrède Béliard/CARE)

Rose-Carmelle tem apenas 18 anos, mas desde o terremoto ela é a chefe de sua família, com duas irmãs mais novas. Seu tio levou-as para viver em seu abrigo transitório, se esforçando para prover comida a elas. Mas estudar está definitivamente fora de alcance: não há dinheiro suficiente para taxas.

“Eu preciso de apenas mais um ano para terminar a escola. Mas as minhas irmãs estão apenas começando. Elas têm de continuar a sua educação, não importa quão alto seja o custo. Se eu não tivesse aprendido a ler, não teriam me escolhido como líder da equipe para este projeto. E agora vou ganhar um pouco mais do que os outros”, diz Rose-Carmelle, uma das pessoas beneficiadas pelo programa de Pagamento por Serviços. O programa ofereceu a 5.000 pessoas em 39 acampamentos de Carrefour um emprego temporário para a remoção de resíduos do terremoto.

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Haiti, um ano depois

(Sabine Wilke/CARE)

Um ano depois do terremoto que custou mais de 220 mil vidas, o povo haitiano ainda passa por grandes necessidades. Mas uma delas, frequentemente negligenciada, é hoje fundamental: uma participação significativa na reconstrução do seu país. A CARE trabalha em plano de reconstrução ouvindo as vozes, principalmente, de mulheres e jovens do Haiti.

Aproveitando o marco, publicamos em nosso site um balanço de nossas ações. Aqui, pelo blog, você acompanha nesta semana algumas histórias de pessoas que foram beneficiadas pelo trabalho da CARE, que só foi possível graças à doação de pessoas e empresas, que acreditam e apoiam nosso trabalho.

Leia no site:

Haiti um ano após o terremoto

Estatísticas da CARE em ajuda humanitária e reconstrução do Haiti

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São Gonçalo: distribuição de kits de higiene continua

A CARE Brasil continua seu trabalho de apoio à comunidade do Palmeiras e entorno, em São Gonçalo, mesmo 5 meses após as fortes chuvas que atingiram o território. Nesta e na próxima semana, será concluída a entrega de 500 kits de higiene às famílias mais afetadas, em parceria com o CRAS (Coordenadoria Regional de Assistência Social) do bairro Salgueiro e com o Movimento de Mulheres de São Gonçalo.

Maria de Lourdes em frente ao seu negócio

Maria de Lourdes Jesus, de 39 anos, segurando o kit higiene da CARE Brasil, ainda tenta se recuperar da enchente. Comerciante local, ela vende comida caseira na extensão de seu quintal, que já se tornou uma pensão improvisada. Com a chuva, perdeu itens fundamentais aos seus negócios: fogão, armário da cozinha para armazenar os alimentos, estoque de alimentos não perecíveis, mesa e cadeira de madeira para o atendimento aos clientes. Maria de Lourdes tem 6 filhos e sustenta a família com a renda obtida com a venda alimentos e ‘quentinhas’. Ao seu lado, sua sócia e amiga inseparável.

Maria de Jesus com seu filho caçula

Com quatro filhos em casa, Maria de Jesus também ficou feliz ao receber o kit de higiene. “Vou ficar mais ou menos uns três meses sem comprar absorvente e vou dar uma toalha para cada um agora”, afirmou. A fonte de renda da família vem do recurso adquirido com a venda de produtos recicláveis. Maria é catadora do bairro e vende o material arrecadado no ferro velho local. Em média, obtém R$ 150,00 por mês.
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Luciana com o kit de higiene da CARE em mãos

Luciana mora na mesma rua que Maria de Lourdes e Maria de Jesus. Com 26 anos de idade e dois filhos, é cega das duas vistas, consequência de um glaucoma aos 23 anos. Hoje vive com o valor pago pelo INSS. “O kit higiene para mim, neste momento, será muito útil. É uma forma de economizar e investir em outros itens, como alimentação”, conta.

O kit higiene distribuído pela CARE Brasil é composto por 4 sabonetes, 2 cremes dentais, 4 escovas de dentes, 4 desodorantes, 2 toalhas de rosto, 3 toalhas de banho, 1 pacote de papel higiênico com 8 rolos, 4 pacotes de absorventes femininos, 1 balde, 2 litros de desinfetante, 500g de sabão em pó e 1 litro de água sanitária ou cloro.

Fotos: Divulgação/CARE Brasil

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Parceria beneficia mulheres empreendedoras em São Gonçalo

A CARE Brasil participou na sexta-feira, 10/9, do “IV Encontro de Administração e Negócios” promovido pela Faculdade de Administração da Universo, em São Gonçalo, como palestrante sobre Desenvolvimento Local e Ação Humanitária.

Na ocasião, foi divulgada a parceria entre a CARE Brasil e a Universo para atuação conjunta no atendimento às vítimas das enchentes em São Gonçalo. A ação visa restabelecer a capacidade produtiva de mulheres microempreendedoras que perderam seus insumos, ferramentas e equipamentos de trabalho por conta das fortes chuvas.

Além fornecer um kit produtivo para cada microempreendedora, a CARE Brasil, em parceria com a Universo, oferecerá uma formação empreendedora para fortalecer as capacidades e habilidades necessárias para que essas mulheres possam desenvolver seus negócios e ampliar suas rendas.

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Haiti, 5 anos de reconstrução

Emilienne Laguerre, de 39 anos, está grávida de 7 meses e se prepara para mudar para um novo abrigo temporário do programa da CARE (Natasha Fillion/CARE)

Quase 3,5 milhões de pessoas sentiram o terremoto de 12 de janeiro que arrasou o Haiti, incluindo toda a população de Porto Príncipe (2,8 milhões de pessoas). A vida de 1,5 milhões de crianças e jovens menores de 18 anos foi impactada e, apesar de todos os esforços de ajuda humanitária, o país demora a se reestabelecer.

A CARE , que começou suas operações no Haiti em 1954, logo após a passagem do furacão Hazel, tem um plano de  investimento de US$ 100 milhões que serão distribuídos em 5 anos para a ajuda e reabilitação do Haiti. A CARE começou a planejar a sua estratégia de longo prazo para a fase de reabilitação de forma coerente com as prioridades do plano de reconstrução nacional do país.

O plano de açaõ da CARE é dividido em três fases e possui  uma ênfase especial em atender as necessidades de mulheres e meninas.

Na fase inicial, a CARE beneficiou mais de 310 mil pessoas, através da distribuição de alimentos, PUR ® pacotes de purificação de água, água, enlatados, kits de higiene, kits de abrigo, kits de reparação de emergência habitacional, colchões, cobertores, kits de recém-nascidos, kits de parto limpo, latrinas, banheiros e outros projetos da promoção de higiene e saneamento.

Agora, já na segunda fase, começam projetos com foco no fortalecimento de programas de saúde, agricultura,  segurança alimentar, educação e geração de trabalho e renda, com o objetivo de beneficiar 125 mil pessoas.

Carpinteiros da CARE e amigos ajudam haitiano a construir sua casa temporária em Carrefour, na área metropolitana de Porto Príncipe (Natasha Fillion/CARE)

Há poucos símbolos de transição melhores que as centenas de abrigos de paredes de madeira e tetos de metal que nascem nas áreas mais atingidas de Leogane e Carrefour.

Medindo aproximadamente 4m por 4,5m, estes abrigos são resistentes ao vento e aos terremotos e são projetados para durar pelo menos três anos e até uma década com adequada manutenção. Isso dá às pessoas tempo suficiente para retomarem as suas vidas  sem a  preocupação de pensar onde poderão descansar.

A posse da terra é uma questão complexa no Haiti. Mas a CARE está trabalhando com os proprietários de terras e com os governos locais para garantir que famílias sem terrra tenham acesso a um lugar seguro para seu abrigo transitório. Comitês de Voluntariado apoiados pela CARE ajudam a identificar as famílias que são particularmente vulneráveis, em que haja mulheres idosas, grávidas e viúvas.

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Admiração pelos haitianos

Rick Perera, Media Coordinator, CARE International. Pakistan IDP camp, 2009

Rick Perera, Coordenador de Mídia, CARE International

Rick Perera, coordenador de mídia da CARE, observa a capacidade que os haitianos têm para resistir às adversidades

“Visitei o Haiti pela primeira vez há cinco anos, após a devastadora tempestade tropical “Jeanne”. Foi uma visita nada fácil de se fazer a um país e eu odeio pensar em mim como uma pessoa que apenas notou o Haiti depois de uma grande catástrofe.

Mas vale a pena notar o Haiti, mesmo que apenas agora. Porque quando as coisas estão piores – e é difícil imaginar algo ainda pior do que o terremoto de 2010 – os haitianos demonstram um nível de coragem e resignação admirável. Dizer que o povo de Porto Princípe está conformado seria um eufemismo. Eles estão incrivelmente fortes.

Apesar de muitos terem perdido pessoas muito próximas e amadas, eles colocaram o luto de lado para que pudessem lidar com assuntos mais urgentes: alimentar suas crianças, permanecer seguros em um canto escuro e perigoso de uma cidade arruinada ou acostumar-se com os inevitáveis banhos de lama da temporada de chuva.

Pode ser chocante discutir a questão de perdas pessoais com um haitiano. Os ombros estão encolhidos, mas o trabalho continua ininterruptamente. Uma frase frequentemente escutada, “É a vontade de Deus”. Alguns haitianos ainda parecem sentir-se culpados pelo desastre que se abateu sobre eles. Em cerimônias religiosas a céu aberto em toda a capital, eles arrependem-se dos pecados da nação e buscam o perdão divino.

Alguns sentem intenso pesar e simpatia por aqueles que perderam tanto, e ainda assim tentam carregar a sua dor com dignidade. Mas acima de tudo, eu sinto admiração. Haitianos são inteligentes e patriotas. Especialmente as mulheres, são incrivelmente trabalhadoras. Elas suportaram mais dor e sofrimento em três semanas do que qualquer pessoa deveria enfrentar no decorrer de uma vida, e mesmo assim mantém suas cabeças erguidas. A diáspora haitiana está renovando seu comprometimento com a pátria – voltando a dar uma mão ou se aprofundando – e ganhou fundos para apoiar aqueles deixados para trás.

As coisas nunca mais serão as mesmas aqui – e não deveriam. O ímpeto por um Haiti renovado deverá vir dos próprios haitianos, mas o resto do mundo precisa se comprometer firmemente com esse amável e sofrível povo, durante o tempo que for preciso.

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