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Natal no Haiti: nada é mais o mesmo

No último Natal, as famílias no Haiti estavam comemorando o feriado em suas casas e apartamentos, desejando que o Ano Novo trouxesse estabilidade e prosperidade. Na segunda semana de janeiro, tudo mudou. Em 12 de janeiro de 2010, a terra tremeu por 35 segundos e trouxe morte e destruição na capital Porto Príncipe e nas comunidades vizinhas. Neste Natal, é hora de tomar um grande fôlego. Mas como será celebrar entre as ruínas do passado?

Não chore Papai Noel!

O clima é ruim, as árvores estão frias.

É véspera de Natal e…

As folhas molhadas viram Papai Noel chorando.

Então, para vê-lo sorrir elas fizeram uma promessa

Enviar este poema a todas as crianças do mundo.

Para aqueles que não têm casa, nem presentes.

Que eles possam encontrar, no próximo Natal,

O azul do céu em seus olhos,

a sua quota de amor em um mundo de cuidado.

Cheio de nuvens, perfumado de felicidade

onde as aves de todas as cores

vêm dar suaves bicadas em seus pequenos corações.

Não chore Papai Noel,

Nós te amamos muito!

Michaëlle Aubry, da equipe da CARE

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Uma mochila no ombro, um sorriso no rosto

Por Mildrède Beliard, CARE Haiti

Elas formam uma multidão animada no pátio da escola ‘Collège de Rémy Jean Lemec’. As crianças, com idade entre 6 e doze anos, já conhecem a equipe da CARE, que está ali para fazer a distribuição de materiais escolares: muitas delas participaram de sessões de apoio psicológico com seus pais, outras ainda lembram dos palhaços que visitaram os acampamentos há duas semanas.

Quando Lesly Guerrier, Verlaine Fleurantus e Sophonie Mondélus – da equipe de Apoio Psicossocial da CARE chegam, as crianças estão de repente mais do que felizes em sentar-se e seguir as instruções. “Vamos chamá-los pelo nome. Então, vocês têm que fazer uma fila e esperar até que sejam orientados a se dirigir ao homem parado ao lado do caminhão. Depois de ter recebido sua mochila, você pode voltar para seus pais.”

As meninas são chamadas primeiro e formam uma linha ordenada. Algumas delas estão com um grande sorriso no rosto, outras apenas irradiam esperança. Barbara Clervil tem 8 anos de idade: “Eu não sei o que está nesta mochila, mas eu seria feliz mesmo só de ter a mochila para que eu possa finalmente voltar para a escola”.

Algumas dessas crianças começaram a escola em setembro, mas muitos ainda não têm os meios para fazê-lo. As taxas escolares, livros, lápis, uniforme escolar e, claro, a própria mochila, são custos que muitos pais não podem pagar, especialmente depois de terem perdido quase todos os seus pertences no terremoto.

Para muitas crianças, esta mochila representa nada menos que um futuro novo e brilhante.

Olson Tillien tem 12 anos e planeja pintar fotos de belos barcos com o seu novo kit de desenho. “Gosto de estar em um barco, eu amo o mar, a pesca, sentir o ar correndo pelos meus dedos. Vou fazer os desenhos e vendê-los no Natal, para comprar um brinquedo para mim”.

No meio de toda a euforia, Mariette Joseph, de 35 anos, tenta chamar atenção para a sua filha. Angenica Rômulo tem 6 anos de idade. Ela frequenta a escola, está aprendendo a escrever e possui dicção perfeita quando se apresenta, o que é notável para uma menina tão jovem. A única coisa que a distingue das outras crianças: ela só tem três dedos em cada mão. “Eu nasci assim”, explica. “Eu tinha uma irmã gêmea para quem dei os meus outros dedos, mas ela morreu.” Angenica orgulha-se de nos mostrar como ela consegue segurar o lápis e desenhar círculos e quadrados.

Hoje foi definitivamente um Natal antecipado. “Eu nunca vi tantas crianças felizes em um só lugar”, afirmou Johnny Colt, um jornalista norte-americano que presenciou a distribuição.

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