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Natal no Haiti: nada é mais o mesmo

No último Natal, as famílias no Haiti estavam comemorando o feriado em suas casas e apartamentos, desejando que o Ano Novo trouxesse estabilidade e prosperidade. Na segunda semana de janeiro, tudo mudou. Em 12 de janeiro de 2010, a terra tremeu por 35 segundos e trouxe morte e destruição na capital Porto Príncipe e nas comunidades vizinhas. Neste Natal, é hora de tomar um grande fôlego. Mas como será celebrar entre as ruínas do passado?

Não chore Papai Noel!

O clima é ruim, as árvores estão frias.

É véspera de Natal e…

As folhas molhadas viram Papai Noel chorando.

Então, para vê-lo sorrir elas fizeram uma promessa

Enviar este poema a todas as crianças do mundo.

Para aqueles que não têm casa, nem presentes.

Que eles possam encontrar, no próximo Natal,

O azul do céu em seus olhos,

a sua quota de amor em um mundo de cuidado.

Cheio de nuvens, perfumado de felicidade

onde as aves de todas as cores

vêm dar suaves bicadas em seus pequenos corações.

Não chore Papai Noel,

Nós te amamos muito!

Michaëlle Aubry, da equipe da CARE

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Ajuda humanitária avalia estragos depois da passagem de furacão no Haiti

O furacão Tomas atravessou o Haiti de Sul a Norte, afetando mais gravemente as regiões de Grande-Anse, Léogâne e Nippes, Haut Artibonite e a região Noroeste do país. Inundações e prejuízos severos para o setor agrícola e em infra-estruturas foram notificados. Além disso, um aumento do contágio da cólera é temido.

A CARE participou neste último fim de semana de uma avaliação conjunta, feita por diversas instituições. As principais conclusões são as seguintes:

  • Em Léogâne, inundações danificaram casas e afetaram 15 mil pessoas que vivem em acampamentos.
  • Não há relato de enchentes em Carrefour, embora alguns acampamentos à beira-mar tenham sido afetados – incluindo o campo de Augecad, onde a CARE está trabalhando.
  • Houve aumento da preocupação em relação ao número de casos de cólera em Artibonite.
  • Inundações, somadas às más condições sanitárias em muitas partes do país, poderiam acelerar ainda mais a propagação da cólera, que afetou até agora cinco regiões (Artibonite, Centro, Norte, Noroeste e Oeste).
  • As zonas rurais são as mais afetadas.
  • Porto Príncipe não registrou maiores danos.

A CARE está avaliando a situação e coordenando sua resposta com parceiros em Léogâne, Grande-Anse, Nippes, região Noroeste e Artibonite. A equipe de saúde está planejando um aumentar à resposta ao surto de cólera no departamento Noroeste, Artibonite e Léogâne.

A CARE vai retomar as atividades de sensibilização para a prevenção da cólera amanhã, terça-feira, em áreas afetadas pelo furacão, de acordo com a decisão tomada na reunião de hoje.

Indy, jovem haitiana que vive com sua mãe, retira as águas barrentas de sua casa de um cômodo, feita de tijolos, em Leogane. Foto: Marie-Eve Bertrand / CARE Canada

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Distribuição de mantimentos no Haiti

Fotos: Evelyn Hockstein/CARE

Centenas de haitianos fazem fila perto de um estádio na cidade de Porto Príncipe, à espera da distribuição de colchonetes e kits de higiene. A CARE distribuiu kits para 2.133 pessoas.

A cidade de Porto Príncipe possui cerca de 36 mil grávidas que necessitam de cuidados especiais. A CARE distribuiu kits exclusivos para gestantes com itens como fraldas, cobertores e sabonetes.

Distribuição de arroz em Porto Príncipe, em parceria com o Programa Mundial de Alimentos, da ONU. A CARE já distribuiu alimentos para 17 mil pessoas.

Os kits de higiene são importantes para manter a saúde e evitar doenças. Já foram distribuídos cerca de 7 mil kits que incluem produtos como sabonete, escova e pasta de dente, absorventes, xampu, papel higiênico, sabão em pó, fraldas de pano, corda para varal e toalhas.

A CARE instalou cinco tanques para armazenamento de água potável em acampamentos de desabrigados, quantidade suficiente para atingir 7.600 pessoas por dia.

Um lote com caixas de sachês de purificação de água é descarregado no aeroporto de Porto Príncipe.

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De volta pra casa

Rick Perera, coordenador de mídia da CARE, conta como foi a visita à família de um médico muito especial – Dr. Franck Geneus, funcionário da CARE no Haiti.

Acabei de voltar de uma das mais emocionantes visitas das minhas últimas semanas aqui no Haiti. Em Porto Príncipe conheci a família de Franck Geneus, o gentil e dedicado diretor de saúde da CARE Haiti. Suas casas foram destruídas. A família de trinta pessoas está alojada no jardim da pequena casa do irmão de Franck – desde Joelle, sobrinha de cinco meses de Franck, até sua avó Inosie, que diz ter 94 anos.

O pai de Franck, Ovanier, 64, e sua mãe, Marie, 61, ficam sentados no pátio, inquietos e frustrados. Esta família de trabalhadores de classe média perdeu não só a sua casa, mas seus meios de vida: no térreo, o supermercado gerenciado por Marie e, no andar de cima, a escola particular onde Ovanier empregava oito professores e ensinava 100 crianças.

O médico nos leva para ver a sua casa simples, revestida com reboco e tinta rosa. Seus três andares estão pendurados precariamente acima do alicerce destruído, a ponto de colidir sob o entulho da rua.

Franck nasceu, cresceu e casou-se nesta casa. Trabalhou com ajuda humanitária na Ásia, África e América Central e, quando retornou ao Haiti, pretendia se mudar para lá com a sua família, cheio de esperanças com a chance de executar o projeto da CARE para fortalecer o frágil sistema de saúde do país. Isso foi há apenas duas semanas antes de 12 de janeiro. Todos sabem o que veio em seguida.

“É a primeira vez que volto aqui desde o terremoto”, diz Franck, sacudindo a cabeça. “Estou em choque.” Na fachada, através de uma fresta que se abre para o interior da casa, ele aponta o entulho, incluindo um armário, de madeira, quebrado e revestido de poeira. “Meu pai e eu fizemos esse armário, há dez anos”, diz ele com a voz embargada.

Engraçado como esses pequenos detalhes podem fragilizar o coração de alguém cuja vida foi mudada para sempre pelo desastre. Ainda assim, Franck não está abatido. Ele mergulha em seu trabalho, preparando a estratégia da CARE para gerenciar campos para desabrigados, enfrentar a ameaça de violência contra as mulheres e assumir o desafio de satisfazer as necessidades de saúde das mulheres e crianças.

Este homem simples, de apenas 37 anos, não é apenas um haitiano. Ele é, acima de tudo, uma pessoa que cura, profundamente dedicado à sua família, seu país e seu povo. A CARE tem muita sorte em tê-lo no time.

Assista ao vídeo com depoimento do Dr. Franck, sobre seu retorno ao Haiti (em inglês).

“Decidi recentemente voltar para casa, porque meu país está precisando de serviços básicos. Como um médico, não me parece muito correto apenas oferecer serviços e usar meus talentos fora daqui. Eu sei que meu país está sofrendo e tem necessidades urgentes, então decidi voltar” — Dr. Franck Geneus

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