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Moradores mobilizam-se para reconstruir creches em São Gonçalo (RJ)

A CARE Brasil divulgou este mês a planta do projeto de construção da nova creche comunitária para o bairro de Palmeiras, em São Gonçalo, um dos municípios mais atingidos pelas enchentes na região da baixada fluminense em abril do ano passado.

Depois de atuar no local com medidas de curto prazo para auxiliar os desabrigados pelas chuvas, a CARE Brasil se empenha agora em implementar ações de reconstrução dos espaços destruídos pelas enchentes e a retomada do cotidiano de seus moradores, com a restauração da economia local e dos meios de sustento das famílias atingidas.

A nova creche será mais moderna e espaçosa, trabalhando com redução de gastos e proteção ambiental ao utilizar energia sustentável (solar e eólica) e reaproveitamento de água. O projeto também traz medidas de prevenção a novos desastres ambientais, protegendo o local contra enchentes (a creche será suspensa do solo, por exemplo, evitando futuras inundações no prédio). A reconstrução da creche no bairro de Palmeiras é uma das ações de longo prazo da CARE Brasil como resposta à emergência no local, contando com a parceria da Instituição Artcreche, organização independente de creches comunitárias de São Gonçalo formada por moradores da cidade.

“A Artcreche foi oficializada nos anos 90, mas já atua há 27 anos, participando ativamente de reuniões com os órgãos municipais”, conta Vicencia Cesário da Costa, integrante do grupo que hoje trabalha ativamente para ajudar as mulheres desabrigadas pelas chuvas.

Vicencia Cesário da Costa, integrante da Artcreche e moradora de São Gonçalo (Foto: CARE Brasil)

Nove creches comunitárias, localizadas em diferentes bairros de São Gonçalo, são administradas pela Artcreche, formando uma rede de ajuda mútua. “Existe uma união muito forte na nossa organização, são várias famílias que se apoiam, mesmo morando em diferentes comunidades. Por isso, depois das enchentes nós quisemos dar uma força pro pessoal dos abrigos, para que eles pudessem voltar para suas casas e para que suas crianças voltassem para as escolas e creches. Assim surgiu a vontade de somar com o trabalho da CARE Brasil e atuar juntos, pois a nossa luta é justamente fazer as creches da cidade existirem, funcionarem direito e atenderem nossas crianças”, explica Vicencia.

Com quase três décadas de atuação, a Artcreche conquistou o respeito das autoridades públicas em relação ao trabalho com educação infantil em São Gonçalo. Para Vicencia, este é “o maior prêmio” recebido pela instituição, que agora planeja expandir suas atividades a níveis estadual e federal, mobilizando ainda mais pessoas.

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Haiti, um ano depois

(Sabine Wilke/CARE)

Um ano depois do terremoto que custou mais de 220 mil vidas, o povo haitiano ainda passa por grandes necessidades. Mas uma delas, frequentemente negligenciada, é hoje fundamental: uma participação significativa na reconstrução do seu país. A CARE trabalha em plano de reconstrução ouvindo as vozes, principalmente, de mulheres e jovens do Haiti.

Aproveitando o marco, publicamos em nosso site um balanço de nossas ações. Aqui, pelo blog, você acompanha nesta semana algumas histórias de pessoas que foram beneficiadas pelo trabalho da CARE, que só foi possível graças à doação de pessoas e empresas, que acreditam e apoiam nosso trabalho.

Leia no site:

Haiti um ano após o terremoto

Estatísticas da CARE em ajuda humanitária e reconstrução do Haiti

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Haiti, 5 anos de reconstrução

Emilienne Laguerre, de 39 anos, está grávida de 7 meses e se prepara para mudar para um novo abrigo temporário do programa da CARE (Natasha Fillion/CARE)

Quase 3,5 milhões de pessoas sentiram o terremoto de 12 de janeiro que arrasou o Haiti, incluindo toda a população de Porto Príncipe (2,8 milhões de pessoas). A vida de 1,5 milhões de crianças e jovens menores de 18 anos foi impactada e, apesar de todos os esforços de ajuda humanitária, o país demora a se reestabelecer.

A CARE , que começou suas operações no Haiti em 1954, logo após a passagem do furacão Hazel, tem um plano de  investimento de US$ 100 milhões que serão distribuídos em 5 anos para a ajuda e reabilitação do Haiti. A CARE começou a planejar a sua estratégia de longo prazo para a fase de reabilitação de forma coerente com as prioridades do plano de reconstrução nacional do país.

O plano de açaõ da CARE é dividido em três fases e possui  uma ênfase especial em atender as necessidades de mulheres e meninas.

Na fase inicial, a CARE beneficiou mais de 310 mil pessoas, através da distribuição de alimentos, PUR ® pacotes de purificação de água, água, enlatados, kits de higiene, kits de abrigo, kits de reparação de emergência habitacional, colchões, cobertores, kits de recém-nascidos, kits de parto limpo, latrinas, banheiros e outros projetos da promoção de higiene e saneamento.

Agora, já na segunda fase, começam projetos com foco no fortalecimento de programas de saúde, agricultura,  segurança alimentar, educação e geração de trabalho e renda, com o objetivo de beneficiar 125 mil pessoas.

Carpinteiros da CARE e amigos ajudam haitiano a construir sua casa temporária em Carrefour, na área metropolitana de Porto Príncipe (Natasha Fillion/CARE)

Há poucos símbolos de transição melhores que as centenas de abrigos de paredes de madeira e tetos de metal que nascem nas áreas mais atingidas de Leogane e Carrefour.

Medindo aproximadamente 4m por 4,5m, estes abrigos são resistentes ao vento e aos terremotos e são projetados para durar pelo menos três anos e até uma década com adequada manutenção. Isso dá às pessoas tempo suficiente para retomarem as suas vidas  sem a  preocupação de pensar onde poderão descansar.

A posse da terra é uma questão complexa no Haiti. Mas a CARE está trabalhando com os proprietários de terras e com os governos locais para garantir que famílias sem terrra tenham acesso a um lugar seguro para seu abrigo transitório. Comitês de Voluntariado apoiados pela CARE ajudam a identificar as famílias que são particularmente vulneráveis, em que haja mulheres idosas, grávidas e viúvas.

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Balanço das atividades no Chile

Assistente de projeto da CARE avalia as necessidades de uma das muitas famílias afetadas pelo terremoto

O inverno começou no Chile e trouxe chuvas e ventos fortes nas regiões central e sul do país, que foram as mais afetadas pelo terremoto e pelo tsunami de 27 de fevereiro. Nas regiões mais pobres, com elevadas taxas de desemprego, o trabalho de reconstrução das comunidades ainda é lento e insuficiente, mesmo com os esforços do governo e da ONG “Um Teto para Chile”. Até agora, foram construídos 51.357 abrigos temporários e não se sabe ao certo quantas famílias ainda vivem em acampamentos.

A CARE está apoiando famílias de áreas rurais do interior do Chile, na região de Maule. Logo após a ocorrência do terremoto, a equipe de emergência avaliou a necessidade de assistir com alimentos 210 famílias na vila de Sauzal, em Cauquenes, reduzindo assim o risco de desnutrição. Após o reestabelecimento do comércio local e do acesso a alimentos, a distribuição de 15 kits adicionais ficou restrira a 15 famílias em situação mais vulnerável. Essas distribuições foram feitas em 9 de março e 6 de abril, respectivamente.

População se reuniu em frente à igreja para receber kits de higiene e cobertores

Desde o início de março, kits de higiene e cobertores foram distribuídos de acordo com as necessidades emergenciais nos territórios selecionados pela equipe da CARE. Inicialmente, os kits foram entregues a famílias que perderam todos os seus utensílios e sofriam em condições precárias de higiene até que tivessem para onde ir. Em parceria com a Fundação Alemã para o Desenvolvimento, a CARE pode avaliar a situação da população idosa na região e fez a distribuição de fraldas geriátricas para 189 idosos. Na segunda fase da emergência, o foco da ação foi a distribuição de kits de higiene juntamente com cobertores para o inverno.

No campo da reconstrução de casas, a intervenção da CARE visa melhorar as condições dos abrigos temporários (os chamados “mediaguas”). O kit CARE para abrigos foi concebido em estreita coordenação com a IOM (Internacional Organization for Migration) – ONG líder da iniciativa de habitação, engenheiros do Chile e a população afetada, assim como parceiros locais. O kit foi desenvolvido para complementar o trabalho feito por outras iniciativas e contém quatro placas de fibra de cimento, quatro postes de madeira, um rolo de feltro, pregos e uma tampa de plástico.

Até o dia 20/06, o trabalho da CARE na emergência do Chile beneficiou diretamente 1.320 famílias ou 4.016 pessoas.

Veja no mapa as áreas onde a CARE está atuando no Chile (marcadas em laranja) na região de Maule, ao sul da capital Santiago do Chile

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Reflexões sobre resiliência e recuperação

Artigo: Abby Maxman, diretora da CARE Etiópia e ex-diretora da CARE Haiti

Como todos nós estamos de luto, com tristeza e preocupação no rescaldo do terrível terremoto que atingiu o Haiti no 12 de janeiro, sou levada de volta para a minha experiência pessoal e profissional com o país mais pobre do ocidente. Como uma profissional de ajuda humanitária por mais de 20 anos, tento deixar para trás esta conturbada história e relembro da minha própria experiência como diretora nacional da CARE no Haiti, entre 2004 e 2006.

Nas minhas primeiras semanas no Haiti, a tempestade tropical Jeanne passou pela cidade de Gonaives por vários dias e deixou a cidade debaixo d’água, provocando o caos e destruição, matando mais de 3.000 pessoas e deslocando dezenas de milhares. Esta tempestade foi considerada, até então, o pior desastre natural no Haiti em mais de 40 anos. Seja alguém com uma experiência pessoal com o Haiti, seja um aprendiz de sua própria história ou simplesmente um ser humano, todos nós estamos de luto e sofremos pelo Haiti hoje.

Mulher haitiana carregando cesta de vegetais (Foto: CARE/Sabine Wilke)

Todos querem ajudar de alguma maneira. Todos temos dificuldades para entender como o Haiti pode sofrer tanto por desastres naturais, sustentado por questões criadas pelos homens, como a discriminação, a marginalização e forças geopolíticas que têm rasgado o tecido social do Haiti por mais de 200 anos. E, no entanto, apesar da união de fatores históricos, extrema pobreza, exploração e marginalização, os haitianos têm demonstrado, repetidamente, que estão entre as pessoas mais resistentes do mundo.

Os meus dois anos como diretora da CARE no Haiti fazem parte de quem eu sou hoje. Ninguém pode deixar o Haiti, viver e trabalhar com seu povo vibrante sem ser tocado por sua paixão, promessas e desespero. Eu me lembro de ter chegado a Gonaives – assim que pude entrar após as inundações de 2004 – com a morte por todos os lados. Uma sobrevivente grávida de 8 meses caía sob meus joelhos chorando enquanto esperava a ajuda alimentar da CARE. Em meio ao esgoto em torno de nós, tentei entender como ela teve forças para sobreviver e ajudar as suas cinco crianças sob condições tão extremas. Quando li o relato sobre o terremoto, em primeira mão, de minha querida colega Sophie Perez, diretora atual da CARE Haiti, tentei me imaginar no lugar dela… Sophie e sua incrível equipe vão doar 18 horas do seu dia, durante meses a fio, em resposta à crise imediata – para tentar encontrar e apoiar sobreviventes.

Então, eles vão voltar para o penoso processo de reconstrução do Haiti, um bloco de cimento de cada vez. É um trabalho meticuloso sob a face da crítica implacável, nas circunstâncias mais desafiadoras do mundo.

Talvez o nosso sofrimento coletivo nesta tragédia possa levar a algo que ofereça a oportunidade para um novo Haiti, que não repita um sofrimento sem fim, mas sim, um lugar que tenha esperança, dignidade e oportunidade.

Trabalhando ao lado deste grande povo e destes profissionais, sei que nós podemos vencer a pobreza opressiva e defender a dignidade. As pessoas do Haiti não merecem nada menos do que isso. Precisamos assegurar que os problemas criados pelos homens que fazem o Haiti ser tão vulnerável a desastres naturais não se repitam. Nunca mais.

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São os haitianos quem vão reconstruir o seu país

Patrick Solomon, supervisiona a distribuição de kits de higiente, feita em Leogane em parceria com a comunidade (Foto: Evelyn Hockstein/CARE)

Patrick Solomon/ artigo publicado no site The Huffington Post.

Patrick é vice-presidente de Recursos Humanos da CARE USA e supervisiona a atuação de equipes internacionais.

A estrada para o oeste de Porto Príncipe estava tão sombria quanto triste. O terremoto destruiu 90% dos edifícios da cidade de Leogane. Em meio às casas e lojas desmoronadas, pude ver mais corpos – alguns que não estavam lá quando a gente passou no dia anterior.

Cada vítima me lembrou não só o quanto o Haiti perdeu, mas também como é comprido o caminho para a sua recuperação. Porque, no final das contas, é o povo haitiano quem vai reconstruir seu país – tijolo por tijolo, livro por livro.

Esta crença está nos valores de como a CARE está respondendo no Haiti, onde trabalhamos desde 1954. Ao invés de apenas distribuir um caminhão cheio de comida e suprimentos, a CARE está capacitando pessoas da comunidade para serem nossos parceiros na distribuição.

Na primeira visita da nossa equipe a Leogane, nos reunimos com o prefeito e outras lideranças da cidade. Contamos nosso plano para entregar água, galões e kits de higiene. Quando pedimos que eles identificassem os membros mais vulneráveis de suas comunidades – mulheres grávidas, crianças e idosos – nós demos pequenas “fichas” que poderiam ser trocadas por mantimentos.

O resultado foi surpreendente de se testemunhar. Quando chegamos em Leogane, era evidente que as pessoas de lá tinham desenvolvido um plano de distribuição de 1.500 galões e 1.200 kits de higiene. Os voluntários tinham de fato distribuído as fichas nas 14 tendas que foram montadas nos arredores da cidade. E eles nos levaram para a entrada de um edifício de telecomunicações, que foi usado como uma prefeitura improvisada, porque os edifícios públicos foram destruídos. Então, numa fila organizada, as pessoas foram escoltadas até os fundos do edifício, onde a distribuição aconteceu. Eles entregaram as fichas, que foram marcadas para evitar a duplicação.

Escoteiros ajudam funcionários da CARE a descarregar kits de higiene em Leogane (Foto: Evelyn Hockstein/CARE)

Talvez a visão mais inspiradora seja a atuação de jovens escoteiros haitianos, meninos e meninas que ajudaram a manter a ordem. Os jovens davam segurança e apoio emocional, enquanto a CARE distribuia kits às mulheres de Leogane, baldes com produtos de higiene pessoal, como sabonete, absorventes e toalhas.

Lá fora, os meninos montavam guarda para ajudar a controlar as pessoas ansiosas, que esperavam a sua vez. As meninas escoteiras, algumas chamadas de “guias”, providenciavam gentilmente as orientações, andando por entre as mulheres cansadas e assustadas que enfrentaram a multidão naquele sol de meio-dia.

Entre as pessoas que ajudavam, estava Joanie Estin, elegante com seu vestido bege e o lenço azul amarrado no pescoço. A jovem de 22 anos vestia as cores do Grupo Escoteiro Ste Rose de Lima, de Leogane. “Tentamos aconselhar as pessoas sobre como manter a calma e ajudamos as agências internacionais nas distribuições”, conta Joanie, com orgulho. “Para mim, é uma ação que me ajuda a me sentir melhor”.

A escoteira Jonie Estin se reúne com seu chefe escoteiro e um funcionário da CARE para planejar a distribuição no centro de Leogane (Foto: Evelyn Hockstein/CARE)

Joanie, como muitos daqueles escoteiros, está tentando lidar com sua própria tragédia pessoal. Ela perdeu seu pai no terremoto. Ele era o único que estava dentro de sua casa, quando ela desabou. No entanto, lá estava Joanie, vestida com seu uniforme de honra, ajudando seus companheiros sobreviventes a juntar os cacos de suas vidas. Esse tipo de força de vontade é necessária para que o Haiti se levante novamente. Mas não é o suficiente.

O povo do Haiti precisa de parceiros para somar forças, enquanto eles constroem novas escolas, novos hospitais e, talvez um dia, um novo sentimento de otimismo. Nós da CARE já enviamos reforços para ajudar nossos 133 funcionários – todos, exceto um, são haitianos – que estavam em campo quando o terremoto mudou suas vidas para sempre. A CARE está pensando no longo prazo e tem um plano de cinco anos para ajudar a reconstruir o Haiti. E vamos continuar a nossa atuação baseada no envolvimento comunitário.

Jovens mulheres como Joanie já estão dando os primeiros passos. Depois do terremoto, ela foi capaz de pular a porta dos fundos da sua casa e recuperar alguns pertences. Joanie achou algumas roupas e um estojo de cosméticos. Então ela retirou algo dos escombros – o seu uniforme de escoteira. Uma lembrança que nem o terremoto poderia apagar.

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