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CARE distribui roupas de cama e banho e realiza diálogo sobre saúde com 24 famílias em abrigo de Nova Friburgo (região serrana do RJ)

No dia 05 de maio a CARE Brasil esteve presente no SASE Olaria, o maior abrigo de Nova Friburgo, cidade da região serrana do Rio de Janeiro que foi fortemente atingida pelas enchentes e deslizamentos de morros em janeiro deste ano. Foram distribuídos kits com roupa de cama e banho para 24 famílias que vivem abrigadas no local e, em seguida, foi realizada uma roda de conversa sobre saúde com a Doutora Monica Netto Carvalho.

Contando com a participação de mais de 30 residentes do abrigo, o diálogo funcionou com uma série de perguntas e respostas, mediadas pela Dra. Monica, sobre assuntos variados de saúde como AIDS, dengue e drogas, entre muitos outros. Os participantes ficaram à vontade para falar, perguntar e trocar experiências.

Joelma Oliveira, moradora do abrigo que acaba de se tornar mãe

Cada kit era composto por dois jogos de roupa de cama de solteiro, um jogo de roupa de cama de casal e uma toalha de banho. Os kits foram adquiridos graças ao apoio financeiro da Comissão Europeia e de outros doadores privados. “Foi muito bom ouvir a médica e aprender coisas novas. Também fiquei feliz com este kit, que vai me ajudar bastante”, disse Joelma Almeida de Oliveira, 23 anos, que acaba de se tornar mãe (seu filho ainda não tem nem um mês de vida).

“As pessoas que estão abrigadas no SASE Olaria se encontram em situação de vulnerabilidade, pois não conseguiram um lugar para morar até agora, passados mais de três meses do desastre. Estão vivendo às margens da pobreza e passando por muitas dificuldades. Por isso este tipo de apoio foi tão bem recebido”, afirma Daphne Sorensen, da CARE Brasil. De acordo com ela, já estão planejadas mais visitas a abrigos e ações na região serrana. A próxima atividade ocorrerá em Teresópolis, no sábado (14 de maio), quando serão distribuídos mais de 1.200 kits para famílias atingidas pelas enchentes e deslizamentos.

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Cólera se espalha pelo Haiti

Ministério da Saúde publicou mensagens para prevenção e tratamento de doenças. Agências de ajuda humanitária fazem a distribuição entre a população (Foto: Sabine Wilke / CARE)

De acordo com o último relatório que recebemos da CARE no Haiti, de 23/10, o número de mortes causadas pela cólera chegou a 1344, com 23.377 casos de hospitalização. Desde o início do surto, o número total de casos de cólera é de  56.901.

Novos casos da doença foram identificados na região Sudeste do país, elevando para oito o número total das áreas afetadas (Sudeste, Artibonite, Centro, Oeste, Noroeste, Nordeste, Sul e Norte).

A CARE já beneficiou com suas ações 165.909 pessoas, por meio de campanhas de sensibilização, distribuição de itens básicos e ações relacionadas à água e saneamento.

Entre os desafios, estão:

  • O medo de contrair a cólera – as pessoas evitam ir aos hospitais
  • Relutância crescente entre a população de beber água proveniente de poços – mesmo água clorada
  • O aumento de casos no Noroeste
  • As eleições que se aproximam, com manifestações políticas ocorrendo numa base mais regular e tensões aumentando

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Furacão Tomás se aproxima do Haiti

O Ministério da Saúde do Haiti reportou no último dia 30/10, sábado,  337 mortes e 4.764 casos de hospitalização devido ao surto de cólera no país. Sabão e sachês de purificação de água, que são usados para tratar água com sedimentos, são materiais urgentemente necessários.

As autoridades e as organizações de ajuda humanitária trabalham ainda com a possibilidade do furacão “Tomás” atingir a região na próxima semana.

A CARE Haiti desenhou uma estratégia de resposta à emergência e já começou os esforços de mobilização para garantir os recursos necessários para implementar as atividades planejadas:

  • Divulgação de informações sobre a cólera e prevenção na área de Artibonite;
  • Apoio a dois centros de saúde e 17 estruturas menores para preencher as lacunas do setor de saúde
  • Participação em campanhas de sensibilização e prevenção da cólera em Leogane e Carrefour

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Após visitas, novas ações planejadas

© CARE Brasil

Bairro Palmeira, em São Gonçalo / Crédito: Divulgação CARE

O coordenador para emergências na América Latina da CARE Internacional, Hauke Hoops, passou três dias (20, 21 e 22/4) em visita às comunidades mais afetadas do Rio de Janeiro. No dia 21 de abril, o diretor executivo da CARE Brasil, Markus Brose, o acompanhou na visita à São Gonçalo.

Após conversas com a prefeita do município, Aparecida Panisset, com representantes de duas ONGs locais (Núcleo de Articulação das Creches Comunitárias e Movimento de Mulheres de São Gonçalo) e com moradores, um plano de atuação foi traçado, com ações imediatas sendo implementadas no bairro Palmeira, onde moram aproximadamente 6 mil famílias.

De hoje (22/4) até começo da próxima semana, o coordenador do programa Rio de Janeiro, Cláudio Vieira, apoiado pelo técnico Marcelo Aranda, estarão encarregados da implementação das ações. Entre elas, uma das prioridades é o fornecimento de água para mil famílias. Cada uma receberá 1.000 litros de água potável que chegarão em caminhões pipa. O critério para a escolha serão as famílias que não estão sendo atendidas pelo serviço de abastecimento emergencial da prefeitura, por morarem em áreas mais remotas.

Outra preocupação está em promover a limpeza e conservação das caixas d’água. Serão providenciadas redes de proteção que serão distribuídas às famílias para evitar a contaminação da água, principalmente pelo mosquito da dengue.

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Mãos que curam

Mulher da região montanhosa de Petit Goave (Foto: CARE/Sabine Wilke)

Rick Perera, coordenador de mídia da CARE, escreve sobre o importante papel dos médicos comunitários no tratamento de ferimentos leves no Haiti

No terremoto que devastou o Haiti, onde os ossos quebrados e as feridas abertas superam o número de médicos, as pessoas se acostumaram a uma longa espera por atendimento médico. Mas muitos que entraram numa casa de tijolos de barro – a casa de Saurel Saintie – esperaram mais tempo que a maioria. Para escapar da capital Porto Príncipe, esses pacientes viajaram cinco horas ou mais numa estrada esburacada e empoeirada, a bordo de ônibus velhos, na boléia de caminhões ou empoleirados em grupos de três a quatro pessoas em motocicletas. Muitos atravessaram semanas sem que seus ferimentos fossem tratados.

Quando eles chegam na zona rural ao noroeste da cidade de Gros-Morne, a primeira parada é para ver “o médico de ervas”. Os pacientes fazem uma fila para entrar no consultório de dois cômodos, escuro mas arrumado, onde um colchão está estendido no chão, ao lado de uma prateleira cheia de delicados bonecos chineses. O curandeiro tradicional usa aparelhos caseiros, emplastros e técnicas de massagem para tratar alguns dos ferimentos causados pelo colapso de inúmeros edifícios.

“Vou colocar um gesso nele por um mês e faremos fisioterapia a cada três dias”, diz Saurel, tocando suavemente uma àrea inchada nos ombros de Fidelien Joseph, 34 anos. O operário da construção civil estava em sua casa em Porto Príncipe quando o tremor veio, jogando blocos de concreto sobre ele. Hoje ele não consegue levantar seu braço. “Ele ficará OK depois de algumas semanas”, diz o curandeiro.

Antes de se tornarem sem teto, muitos dos migrantes da zona rural moravam em construções precárias em bairros populosos de Porto Príncipe. Aqueles que sobreviveram, alguns com ferimentos graves, sairam da cidade na primeira oportunidade. Dezenas de milhares têm voltado para suas fazendas e aldeias de origem.

A CARE, que vem trabalhando no Haiti desde que o furacão Hazel atingiu o país em 1954, identificou os praticantes da medicina tradicional como parceiros-chave na sua abordagem comunitária em situações de emergência. “Curandeiros tradicionais são uma parte importante da rede do sistema de saúde aqui”, diz Francoeur Jean-Joseph, gerente de programas da CARE no escritório de Gros-Morne. “As pessoas tendem a fazer um contato inicial com eles e nós trabalhamos para educá-los sobre como proceder nos casos que necessitam de cuidados mais urgentes”. Ele acrescenta que profissionais como Saurel aliviam um pouco o atendimento do centro de saúde local, o Hospital Alma-Mater, que tem apenas vinte camas e já tratou quase 90 sobreviventes do terremoto.

Saurel, 50 anos, aprendeu o ofício com seu pai – uma tradição familiar que remonta a gerações. Ele é especialista em ortopedia, tratamento de entorses e fraturas simples. Casos mais complexos, como fraturas expostas ou lesões internas, são levados para o Alma-Mater. Saurel está consciente dos limites de sua prática. Ele envia regularmente pacientes com HIV e AIDS para os médicos de Alma-Mater, para que façam o tratamento anti-retroviral. Mas ele também confia na sua capacidade de ajudar.

Para começar, esses locais rurais eram pobres – é por isso que muitos de seus moradores, especialmente os jovens, migraram para a cidade. Lidar com uma avalanche de pessoas deslocadas é forçar os recursos locais ao limite. Junto com a comida e abrigo, cuidados médicos são escassos.

Como a maioria dos residentes de Gros-Morne, Saurel parece cansado, mas menos estressado que os recém-chegados da zona do terremoto. Ele está trabalhando mais do que o habitual e também cuida de seus parentes, que se refugiaram ali.

O trabalho do médico tem ajudado muita gente. A jovem de16 anos, Jocelyne Philoma, como tantos outros, tinha ido à capital para ter acesso a educação. Quando a casa da tia caiu, ela sofreu hematomas e quebrou alguns ossos – mas está aliviada por estar viva. “Estou feliz por estar aqui, porque minha saúde melhorou, depois das fraturas”, diz. “Elas estão melhores, desde que o médico as tratou”. Saurel sorri e passa para o próximo paciente.

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Uma companhia até o fim

Rick Perera, coordenador de mídia da CARE Internacional, relata o que viu quando visitou um hospital em Porto Príncipe (Haiti), no dia 18 de janeiro.

Seu nome – Hospital La Paix – em francês, significa Paz – mas nesse momento ele é tudo, menos sinônimo de paz. Na devastada Porto Príncipe, La Paix está acima da sua capacidade de lotação, com pessoas seriamente feridas.

O estacionamento em frente aos dois prédios de concreto está lotado de pessoas feridas, que se deitam em colchões e lençóis, sob o gramado escasso, e até mesmo nas calçadas, debaixo de um sol brutal. Alguns poucos possuem alguém ao lado deles, oferecendo apoio e um pouco de conforto, talvez até segurando um suporte de soro. Mas muitos estão sozinhos. Possivelmente, todos nessa cidade sitiada perderam alguém – alguns perderam toda a família.

Aqueles que conseguem andar, se posicionam em frente ao hospital, esperando a sua vez de serem atendidos enquanto dois voluntários usam um cordão de isolamento para controlar a entrada dos feridos. O porteiro abre o caminho quando ele enxerga um rosto estrangeiro “Qualquer um que pode ajudar é de alguma maneira bem-vindo aqui”. Pessoas empurram macas pelo caminhos e gritam “Dá licença! Dá licença!”. Dois homens empurram uma mesa para dar passagem a uma mulher com expressão de dor, que chega numa maca improvisada. Uma fila de pessoas se abre para permitir a passagem de um corpo ensacado.

Equipes de emergência, de médicos cubanos a doutores catalães, aglomeram-se atrás da porta. A maioria faz o que pode para aliviar o sofrimento dos haitianos, mas são prejudicados pela pouca estrutura e coordenação. Algumas pessoas que acabaram de chegar apenas conversam à espera de instruções; um grupo de bombeiros franceses posa para uma foto. Depois de uma avaliação, os pacientes esperam por tratamento, apoiados nas paredes ou deitados no chão. Alguns recebem breves diagnósticos, que são escritos em espanhol e grudados acima do peito.

O diretor do programa de saúde da CARE, Dr. Franck Geneus, caminha em direção ao escritório administrativo do hospital. Ele fala rapidamente com uma freira que está a par da situação ali – mas não há ninguém no comando. A nossa missão aqui – providenciar produtos para deixar a água limpa para beber, terá que esperar um pouco: se distribuirmos os materiais agora, é provavel que eles sejam desperdiçados no caos. Devemos focar nossos esforços onde eles podem ser mais eficientes.

Na escuridão do hospital, camas estão enfileiradas nos corredores em volta de um pátio. A maioria dos pacientes, alguns quase nus, deitam-se silenciosamente, exaustos demais até para gemer. O mau cheiro da morte está por todos os lados. “Você nunca vai tirar isso das roupas. Terá que jogá-las fora”, diz minha companheira Evelyn, fotógrafa que trabalhou na CARE em Darfur (Sudão) e na República Democrática do Congo. Ela encolhe os ombros.

Mas Evelyn não está fria e insensível. Alguns minutos depois, ela volta de um abrigo, com os olhos cheios de lágrimas: tinha visto uma freira dar a extrema unção a um homem que não conseguia falar. Ele podia mexer a perna e quando a freira perguntou com delicadeza se ele estava entendendo que iria morrer, ele fez sinal que sim. Enquanto Evelyn contava a história, olhamos para o homem, que ainda estava deitado. Um lençol azul cobria seu rosto.

“Ele teve muitos ferimentos internos e perdeu muito sangue”, contou a freira, num tom de voz gentil. “Não havia chances dele sobreviver”, continuou. “Ele estava pronto. Estava em paz”.

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